quinta-feira, maio 28

It’s a beautiful day!

Hoje o Lubango está lindo. Sai da garagem e fui na direcção do sol. É para sul, a caminho sei lá de onde. Hoje estou naqueles dias que me apetece fugir. Ainda bem que eu não tenho muito dinheiro, acho que já estaria longe. Hoje só penso em ir e não voltar. Sigo com o carro em direcção das colinas que envolvem a cidade. Abro as janelas para sentir a brisa fresca que faz levantar as folhas caídas no chão.
Não sei para onde me encaminho, mas este sol dá vontade de furar o deserto do Namibe e aterrar numa das praias desertas que banham a costa de Moçamedes. No rádio do carro toca “New radicals – Maybe you´ve been brainwhashed too”, que clássico. Marcou a minha juventude e marca agora a minha... sei lá.. não sei mesmo em que fase da vida estou. Admito que o dia está lindo mas eu estou todo trocadinho por dentro. Tenho de ser capaz de superar facilmente de um estado lastimável, ainda que com uma energia reforçada. Parei o carro no Parque de Nossa Senhora do Monte, entrei e subi até ao ponto mais alto. Solto a cabeça e o pescoço e respiro fundo, tanto quanto consigo. Tento relaxar e ir ao encontro de todos os sentimentos, sei que o melhor é aceita-los e passar por cima. Se eu não ceder aos meus sentimentos e aceitar a razão de ser das coisas, posso acabar por dar um passo desnecessário.

Já sei que vou ficar solteiro e isso estava a pesar a minha na minha mente. Acho que não há mal...

Acabou-se

Vivi 29 anos tendo na memoria uma vida inteira para ser feliz e realizar os meus sonhos. Nunca passou da minha cada vez mais curta memoria e acabei sempre por voltar para aquele puto com carências afectivas e mania da perseguição. Não existe quem me possa ajudar. Só eu mesmo... Mas a partir de hoje acabou-se! Face a todos os desastres pessoais, miséria afectiva, agressivas discussões sem sentido e repulsivas chapadas dos amigos. É tempo de acabar!
Não me vou preocupar mais, sei que não posso exigir carinho e afecto de ninguém. Não digo que não sofro, pois estaria a mentir. De qualquer maneira um obrigado aos poucos que me vão apoiando e dando algum carinho necessário para fazer as minhas pernas andarem. Obrigado aos que deixam algum lugar nas vossas vidas para colocar a minha pessoa, renunciando a tantas coisas que podiam ter saboreado. Obrigado aos que vieram comigo nesta aventura mesmo sem saber se ia ter retorno.
Obrigado do coração.

Back into the wild

Estou de volta ao Lubango. Estive em Portugal, mais tempo do que seria desejado para a empresa e por isso estou cheio de trabalho. Em Portugal descobri que apesar dos poucos comentários que vou tendo no blog, sou lido e compreendido por uns, mas criticado pela maioria. Sim, eu sei, tenho de ter cuidado pois o blog é uma porta aberta ao mundo, mas que eu saiba, a porta só abre a quem lá entrar. Eu fico feliz! Acredito que a opinião publica é um direito de todos, talvez dai se possa perceber o porque das novelas terem tanto sucesso. Somos por natureza um ser demasiado critico sobre a vida do próximo. São de elogiar, mais raros os casos de pessoas que conseguem ver sempre um lado bom nas pessoas. Normalmente, só queremos ajudar se o ajudado estiver a baixo de nós. Ajudamos pobres, velhinhos, deficientes, mas criticamos o vizinho que tem um carro igual ao nosso. E porque? Será que há explicação...
Mas descansem, vou continuar a preencher o meu blog com os desabafos negros que inundam, muitas vezes, a minha cabeça.